
Marcelo Queiroz, presidente do Sistema Fecomércio RN
Uma entidade empresarial não existe apenas para representar setores produtivos. Existe para ouvir quem empreende, para compreender as transformações da economia, produzir conhecimento técnico e transformar essa escuta em propostas que possam contribuir para a formulação de políticas públicas mais eficientes. Representar também é construir pontes entre a realidade das empresas e as decisões tomadas pelo poder público.
Esta é a reflexão que me ocorreu esta semana, em Brasília, quando participei do encontro com candidatos à Presidência da República, promovido pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Nessa oportunidade, os presidenciáveis receberam um documento elaborado a partir das demandas do setor e de estudos técnicos, apontando prioridades para o fortalecimento do ambiente de negócios brasileiro.
De forma especial também tivemos um momento voltado somente para o segmento turístico, quando foi apresentado o resultado de um material elaborado a partir de oficinas propositivas em todos os estados brasileiros, incluindo o Rio Grande do Norte, por meio do trabalho da Câmara Empresarial do Turismo da Fecomércio, junto ao Programa Vai Turismo, da CNC.
A iniciativa reafirma um princípio que consideramos essencial: instituições fortes contribuem para democracias mais maduras quando participam do debate público de forma técnica, responsável e apartidária. Isso porque acreditamos que é nas conversas qualificadas, no encontro entre diferentes visões e na disposição de construir consensos que surgem as melhores soluções para os desafios de uma sociedade.
No Rio Grande do Norte, em agosto, seguiremos o mesmo caminho. Após o período das convenções partidárias, a Fecomércio RN receberá os candidatos ao Governo do Estado para apresentar estudos produzidos por nossa equipe técnica e entregar uma agenda construída em diálogo com os segmentos que representamos.
Não buscamos indicar soluções prontas nem disputar o espaço da política. Nosso compromisso é oferecer conhecimento, evidências e a experiência de quem acompanha diariamente a realidade de milhares de empresas potiguares. Afinal, quem está na ponta da economia conhece de perto os obstáculos que limitam o crescimento e as oportunidades capazes de impulsionar o desenvolvimento.
Sabemos que é do diálogo institucional que nascem muitas das decisões que tornam um estado mais competitivo, atraente para investimentos e preparado para gerar emprego, renda e prosperidade.
Também acreditamos que a democracia se aperfeiçoa quando organizações da sociedade civil organizada participam do debate público de maneira técnica, transparente e apartidária. É assim que se constrói segurança jurídica, previsibilidade, competitividade e um ambiente favorável aos investimentos.
É por isso que seguimos defendendo uma atuação baseada na escuta, na responsabilidade e na construção de consensos. Porque governos passam. Os desafios permanecem. E as instituições cumprem seu maior papel quando ajudam a transformar demandas da sociedade em caminhos para o futuro.