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8 de julho de 2022

Mesmo com safra recorde, o preço de alimentos seguirá alto

 

A safra brasileira deve alcançar em 2022 a marca recorde de 261,4 milhões de toneladas, 8,2 milhões a mais do que a de 2021, alta de 3,2%, conforme o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola de junho, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O novo recorde não significa ainda perspectiva de alívio no gasto das famílias com alimentos, avalia Carlos Alfredo Guedes, gerente do levantamento do IBGE. “Independentemente de uma safra recorde, os preços não devem cair, porque a gente tem uma demanda muito grande dos outros países. Isso influencia no mercado como um todo”, explica.

O pesquisador lembra que os preços dos grãos estão elevados com o aumento da demanda e os problemas logísticos provocados pela pandemia, além dos efeitos da guerra na Ucrânia. “Os preços sofrem mais influência do mercado externo do que do mercado interno”, explica Guedes. “O produtor acaba direcionando suas áreas para as culturas mais valorizadas.”

Apesar de perdas no cultivo de soja, o País deve ter as maiores colheitas já vistas para o milho e o trigo. As safras de arroz e feijão, por ora, atendem o consumo doméstico. A produção de soja deve somar 118,0 milhões de toneladas, uma redução de 12,6% em relação ao produzido no ano passado. Já a de milho foi estimada em 111,2 milhões de toneladas, com crescimento de 26,7% ante 2021. A lavoura de milho de primeira safra deve somar 25,8 milhões de toneladas, um aumento de 0,5%. O milho de segunda safra deve totalizar 85,4 milhões de toneladas, aumento de 37,4% em relação ao ano passado.

O trigo deve ter um recorde de 8,863 milhões de toneladas este ano, alta de 13,4% em relação a 2021. “Nosso consumo (de trigo) gira em torno de 12 milhões de toneladas. A gente ainda importa, mas vai importar menos do que importava em anos anteriores”, diz.

Previsão da Conab

A produção brasileira de grãos deverá atingir 272,5 milhões de toneladas no ciclo 2021/22, o que corresponde a um aumento de 6,7% em comparação com o período anterior, ou 17 milhões de t a mais. Isso é o que mostra 10º levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado nesta quinta-feira.

“A atual safra, embora tenha passado por adversidades climáticas em algumas regiões produtoras, principalmente nos Estados da Região Sul, é a maior já produzida. Comparativamente à estimativa anterior, observa-se acréscimo de 0,4%, ou 1,22 milhão de toneladas, decorrente de ganhos no milho e no trigo”, disse a estatal no boletim.

Para área é esperado um aumento de 4 milhões de hectares (5,8%), para 73,8 milhões de hectares. Os maiores incrementos serão no milho, 8,6% ou 1,7 milhão de hectares, na soja, 4,5% ou 1,8 milhão de hectares e no trigo, 6,6% ou 182,1 mil hectares. Segundo a Conab, com cerca de 60% do milho 2ª safra em maturação e 28% colhido, a produção total do cereal está estimada em 115,6 milhões de toneladas, volume 32,8% superior ao ciclo passado. Apenas na 2ª safra da cultura o aumento chega a 45,6% da produção, atingindo perto de 88,4 milhões de toneladas.

 

Fonte: Agência Estado

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