O verão se aproxima do Rio Grande do Norte com ventos favoráveis, combinando demanda aquecida, expectativa de maior conectividade e um ambiente de negócios mais confiante. A hotelaria, termômetro sensível da atividade econômica, projeta uma taxa média de 75% de ocupação em dezembro, com picos expressivos no Natal e, sobretudo, no Réveillon.
As estimativas do mercado se somam à chegada do novo ano, tradicionalmente simbólica para o setor e que ganha contornos promissores quando se observa o movimento crescente de visitantes e a ampliação da malha aérea. Voos diretos internacionais, como a nova ligação com Buenos Aires, e a expectativa de conexões futuras com o Uruguai podem ampliar o alcance do destino potiguar e reposicionar o estado no mapa do turismo sul-americano.
Projeções do Instituto Fecomércio RN ajudam a desenhar esse cenário: a estimativa de quase R$ 2 bilhões em movimentação nas vendas de Natal e festas de fim de ano, com crescimento superior a 8% em relação ao ano anterior, revela não apenas o aumento do consumo, mas também um estado de espírito: o potiguar e o visitante parecem mais dispostos a gastar, celebrar e circular.
Esse conjunto de fatores cria um efeito que vai além do mês de dezembro. A alta estação, que se estende pelo primeiro trimestre, tende a funcionar como um prolongamento natural desse bom momento, garantindo um início de ano mais robusto para hotéis, bares, restaurantes, comércio e serviços.
A confiança empresarial ajuda a sustentar essa leitura. O índice apurado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) para o comércio de Natal, acima da média nacional, sinaliza um empresariado mais otimista, apesar do cenário nacional de juros altos.
Há claros desafios estruturais que permanecem e exigem atenção contínua dos nossos governantes. No entanto, o que se desenha para a alta estação é um cenário de oportunidades. Se o turismo é, por natureza, um encontro entre pessoas e lugares, neste ciclo ele também parece ser um encontro entre expectativas e realidade. Para um estado que vive do acolhimento e hospitalidade, isso faz toda a diferença. A alta estação chega não apenas com turistas, mas com confiança, investimento do setor produtivo e fôlego renovado para a economia potiguar.
Artigo publicado no jornal Tribuna do Norte em 28 de dezembro de 2025