Os últimos dias da NRF 2026 — Retail’s Big Show — confirmam uma mudança estrutural no varejo global: a passagem para um modelo AI-first, em que inteligência artificial, dados, experiência do cliente e comunidades de marca ocupam posição central nas decisões de produto, comunicação e operação.
O evento, considerado o maior do varejo mundial e realizado na cidade de Nova York, foi acompanhado de perto pelo Sistema Fecomércio RN, representado pelo diretor regional do Senac, Raniery Pimenta. A programação contou com palestras, painéis e demonstrações práticas que o varejo está deixando de operar como uma soma de canais e passando a funcionar como plataformas inteligentes de relacionamento, consumo e identidade.
Um exemplo disso, foi a palestra “De gin a fandom global: Ryan Reynolds e as novas regras da construção de marcas”, o ator e empreendedor destacou que as marcas contemporâneas precisam atuar como criadoras de cultura e comunidade. Segundo ele, autenticidade, velocidade e conexão emocional tornaram-se vantagens competitivas reais. “As marcas que crescem são aquelas que criam conexão, não apenas publicidade”, afirmou.
IA e dados transformam operações em sistemas vivos
Apresentações de empresas como Ralph Lauren e relatos de iniciativas de grandes grupos mostraram aplicações práticas de IA integradas a design, CRM e precificação dinâmica, transformam marcas em sistemas capazes de aprender e personalizar em tempo real, sem perder identidade. A conclusão dos painéis foi clara: a IA deixou de ser projeto experimental para tornar-se infraestrutura central do negócio.
Em outras apresentações, executivos destacaram a substituição de planos rígidos por ciclos curtos de teste e aprendizado — social listening, prototipagem rápida e escalonamento das iniciativas que funcionam. Essa agilidade foi apontada como essencial para converter tendências de cultura digital em coleções, produtos e experiências que geram vendas e fidelidade.
Comércio integrado ao entretenimento e à comunidade
A economia dos creators e o live commerce foram tratados como infraestrutura de venda: plataformas como TikTok Shop transformam atenção em demanda, com jornadas que vão do conteúdo ao checkout e repercutem em todos os canais (e-commerce, lojas físicas e marketplaces). A mensagem foi inequívoca: quem não se transformar em empresa de tecnologia terá dificuldade de competir.
“O que vimos é um varejo que opera como plataforma, com IA no centro, marcas como ecossistemas e consumidores buscando identidade, bem-estar e experiência. Isso muda completamente como formamos profissionais, como desenhamos lojas e como construímos negócios no Brasil”, sintetizou Raniery Pimenta.