O empobrecimento do brasileiro e seus impactos no RN

Na semana passada, a respeitadíssima consultoria “Tendências”, do ex-ministro da Fazenda, Mailson da Nóbrega, divulgou um estudo que traz números, a meu ver, bastante preocupantes. Arrisco dizer, inclusive, que o documento é a tradução numérica de uma das faces mais temíveis do momento de turbulência pelo qual passa a economia nacional: o empobrecimento da nossa população.

De acordo com o estudo, a capacidade mensal de consumo das famílias brasileiras foi reduzida, este ano, em nada menos que R$ 16 bilhões. Os dados englobam o período de janeiro a maio e apontam que, em média, o poder de compra das famílias brasileiras foi de R$ 240 bilhões/mês. O número é 6,2% menor do que aquele registrado em igual período de 2014 (quando era de R$ 256 bilhões). Isoladamente no mês de maio, o brasileiro teve um poder de compra de R$ 229 bilhões, ou praticamente a mesma coisa que tinha em janeiro de 2012 (R$ 228,5 bilhões). Retrocedemos mais de três anos!

Para se ter uma ideia do que isso significa, esta queda do poder de compra (R$ 16 bilhões) é praticamente igual a tudo o que o varejo potiguar fatura em um ano (cerca de R$ 16,5 bilhões, segundo dados de 2013).

Para chegar aos números, a consultoria “Tendências” leva em conta alguns dados substanciais, como a massa de renda (inclusive os salários percebidos da previdência) descontando a inflação, a oferta de crédito (contando com o imobiliário) e os gastos das famílias com pagamento de dívidas.

Na prática – e isso o estudo também indica – o poder de compra das famílias encolheu porque a inflação corroeu a renda dos brasileiros e o ritmo das novas concessões de crédito está menor.

E o crédito é componente básico do espectro de consumo.

Com a inflação em alta, o desemprego crescente e o crédito restrito, o poder de compra das famílias – que foi a mola motriz da economia nos últimos anos –, registra queda pela primeira vez desde 2003. E, pior, não dá mostras de que deve se recuperar no curto e no médio prazos.
E por que este dado é tão preocupante? Ora, com menos dinheiro no bolso, o consumidor começa a cortar gastos. Claro, começa pelos chamados supérfluos, algo que já acende o alerta em alguns setores, como o de restaurantes e de viagens.

Mas estes cortes acabam chegando a todos os itens de consumo, não há dúvidas. E se considerarmos que a economia potiguar tem o setor terciário na sua base, sobretudo no comércio, serviços e turismo, precisamos, sim, nos preocupar. E muito! O momento é de trabalho. De fazer mais com menos e, para as empresas, de nos reinventarmos diariamente. Afinal, cada real que o consumidor tiver no bolso para gastar, passa a ser muito mais valorizado e difícil de conquistar. Então, vamos à luta!

Marcelo Fernandes de Queiroz
Presidente do Sistema Fecomércio RN