Emprego, este produto escasso

Muitos têm sido os dados divulgados nos últimos tempos desenhando um cenário sombrio para a nossa economia. A princípio, falávamos em um final de ano de desempenho historicamente ruim agora em 2015. Hoje, já somos obrigados a aceitar que mesmo o ano de 2016 pode ser considerado perdido do ponto de vista de crescimento econômico. Nossas esperanças de retomada e de bons números residem agora no ainda distante ano de 2017. Diante disso, como empresário e presidente de uma entidade que representa um dos segmentos mais importantes de nossa economia, tenho me preocupado particularmente com um ponto: o emprego. Este item que já nos foi tão farto, hoje escasseia com uma velocidade aterrorizante. Senão, vejamos.

Considerando os dados de janeiro a agosto deste ano, o Rio Grande do Norte fechou, segundo informações oficiais do Ministério do Trabalho, 10.646 empregos formais. Se considerarmos que no mesmo período do ano passado este saldo era positivo em 6.846 vagas, podemos dizer que, em um ano, perdemos exatos 17.492 postos com carteira assinada. O setor de Comércio – que é um dos maiores empregadores individuais e responde, em média, por 19% de todas as vagas – fechou, sozinho, 2.610 postos nestes oito meses.

Se observarmos o quadro evolutivo de vagas ao longo deste ano, tivemos saldo negativo no estado como um todo em todos os meses, com destaque para fevereiro (-4.103), junho (-2.188) e maio (- 1.405).

Na Fecomércio, até por ser este o segmento que representamos, nós costumamos avaliar o setor de Comércio e Serviços como um bloco só. Como eu já disse, o setor de Comércio isoladamente vem emplacando números negativos também ao longo de todo 2015, mas “Comércio e Serviços”, graças ao setor de Serviços, até que começou bem o ano. Este bloco de segmentos emplacou saldos positivos de emprego até maio, com destaque para janeiro, com saldo de 1.285 novas vagas.

E aí vem mais um dado preocupante. Desde junho, com o declínio das vagas também no segmento de Serviços, o setor de “Comércio e Serviços”, que a Fecomércio representa e que responde por 48% das vagas formais no RN, vem registrando saldos negativos consecutivos, tendo chegado a agosto com acumulado negativo de 555 vagas.
Se formos comparar com o ano passado, quando, até agosto, este mesmo setor surfava em um saldo positivo de 9.342 empregos, podemos afirmar que perdemos, somente neste setor que representamos, 9.897 postos com carteira assinada em doze meses. Um número definitivamente alarmante.

E aí chegamos ao ponto central deste artigo. Por que os números relativos ao emprego são tão alarmantes a meu ver? O emprego é a base de sustentação da economia. É o ponto de partida do círculo que alimenta o mercado, e este círculo pode ser vicioso ou virtuoso. O raciocínio é simples: com mais emprego, temos mais renda; com mais renda, mais consumo; com mais consumo, mais produção e mais vendas; com mais produção e mais vendas, temos mais empregos. E o inverso é igualmente verdadeiro. A perda do emprego joga por terra o poder de consumo. Freia a economia, faz com que as pessoas se tornem inadimplentes, deixem de consumir, deixem de alimentar a engrenagem da economia.

E, pior de tudo, a história mostra que a velocidade com que se recria empregos é invariavelmente menor que aquela com a qual se fecha eles num momento de dificuldades, como o que vivemos agora.

Por isso, precisamos louvar a cada empresário que tem conseguido poupar os empregos que gera. Somente no setor de Comércio e Serviços, ainda são mais de 293 mil postos mantidos a duras penas. Que possamos preservá-los. Que sejamos ajudados a preservá-los. E que a turbulência passe, o quanto antes.

Marcelo Fernandes de Queiroz
Presidente do Sistema Fecomércio RN