2014, um ano para não esquecermos

O que dizer de um ano em que as vendas cresceram apenas um quarto do que haviam crescido no ano anterior? Um ano no qual o aumento das vagas formais de emprego foi 24% menor? No qual vivemos incertezas das mais diversas e até mesmo um grande evento – de âmbito mundial – deixou em nós um gostinho de frustração, ao menos no que diz respeito ao aumento de vendas?

Assim foi 2014 para o varejo potiguar. Recentemente – e só recentemente – saíram os dados da Pesquisa Mensal do Comércio, realizada pelo IBGE. Eles trouxeram um retrato fiel do nosso desempenho no ano passado.

As vendas cresceram, em dezembro, 2,7%. O pior dezembro desde 2011. Para se ter uma ideia, em 2013 haviam crescido 5,5% e em 2012 7,5%. Em 2011, um ano que considerávamos ruim, dezembro registrou alta de 4% nas vendas. Ou seja: as vendas de dezembro de 2014 tiveram um crescimento que representa menos da metade daquele registrado em 2013.

Já no acumulado do ano inteiro, o quadro foi ainda mais estarrecedor. Nossas vendas cresceram 2,2%, o que equivale a um quarto dos 8,8% que crescemos em 2013. Em números absolutos, deixamos de faturar – se considerarmos que poderíamos ter crescido 6,6 pontos percentuais a mais, pelo menos empatando com 2013 – nada menos que R$ 1,7 bilhão em vendas no ano passado.

Claro que os reflexos já começam a ser sentidos no emprego formal. O setor de Comércio e Serviços é o que mais emprega no Rio Grande do Norte. Respondemos, ao todo, por mais de 294 mil postos de trabalho, o que equivale a 47% do total do mercado estadual.

Foram, em 2014, 13.514 novas carteiras assinadas pelo nosso setor, uma contribuição de importância capital para o saldo geral do Estado no ano, que foi de 13.392 novos empregos. O problema é quando estratificamos estes números para analisá-los. Do saldo do setor de Comércio e Serviços (13.514), nada menos que 10.582 postos de trabalho foram abertos pelo setor de Serviços, e, claro, na esteira da Copa do Mundo de Futebol, que teve em Natal uma de suas sedes.

Mas, no setor de Comércio, especificamente, abrimos 2.932 novos postos no ano passado. Um bom número, porém que corresponde um recuo de 23,92% em relação às novas vagas que abrimos em 2013.

Voltando um pouco à Copa do Mundo Fifa em Natal. Ela foi positiva, demais, para nós. E teve impactos diretos no bom desempenho do setor de Serviços no ano passado. Mas, já no Comércio, infelizmente, ela nos deixou frustrados. No entanto, é bom que se diga que isso se deu muito mais em virtude de fatores extra Copa, mais especificamente uma greve dos Rodoviários, que deixou Natal sem ônibus durante todo o período em que tivemos jogos do Mundial aqui. Com isso, as lojas ficaram às moscas.

Agora, respondendo à pergunta feita lá no início do artigo: o que dizer de um ano assim? Que nós devemos esquecê-lo? Eu respondo: jamais!

O ano de 2014, a meu ver, deve servir de exemplo para nós. Os números – que estão, em parte, neste artigo – devem ficar vivos em nossa memória para que possamos cobrar dos Poderes Públicos ações que possibilitem nos ajudar a revertê-los.

Controlar a inflação, reduzir juros, rever o nosso arcabouço tributário insano, recuperar a capacidade de investimento, oferecer crédito de maneira criteriosa e orientada, fomentar projetos de geração de emprego e renda são temas que precisam estar na “Ordem do Dia” dos novos governos para que possamos construir um 2015 melhor para nossa economia.

A nós, empresários, cabe seguir administrando nossas empresas com sabedoria, bom senso e retidão, melhorando onde pudermos e buscando manter nosso papel de indutores do desenvolvimento social e econômico deste estado. E sempre otimistas, na expectativa de que dias melhores virão.

Marcelo Fernandes de Queiroz
Presidente do Sistema Fecomércio RN